Presets da Era Dourada dos Samplers

Tiago Frúgoli é um beatmaker de São Paulo, Brasil, e um expert em plugins da Goodhertz. Recentemente, pedimos para ele traduzir nossos plugins para o português brasileiro. Vamos disponibilizar essas traduções no nosso próximo grande lançamento, assim como novos presets do Vulf Compressor, criados pelo próprio Tiago, conforme descrito abaixo.

Minhas sessões recentes de mixagem estão repletas de plugins da Goodhertz. Quando Rob me convidou para traduzir as interfaces da Goodhertz para o português, além de ter adorado a ideia, pensei em aproveitar a oportunidade para finalizar alguns presets que eu vinha desenvolvendo (a princípio para mim mesmo) e compartilhá-los com ele. É uma honra para mim vê-los incluídos oficialmente em um plugin que eu uso tanto.

Minha Técnica

Nos últimos projetos nos quais trabalhei (incluindo Casa, meu álbum de estreia, lançado em 2017 no Brasil pela YB Music e, em breve, internacionalmente pela Fresh Selects), adotei a prática de criar um preset do Vulf Comp para usar na master do álbum inteiro, fazendo ajustes pontuais quando necessário. O efeito disso é que todas as faixas soam como se tivessem sido processadas pelo mesmo equipamento, dando maior coesão ao álbum.

Boa parte do que faço como produtor musical vem da minha experiência como beatmaker, mesmo quando estou trabalhando em um projeto gravado ao vivo. De Dabrye a Daft Punk, a maior parte de produtores que trabalham sampleando concordam em um ponto:: o grande lance de samplear é encontrar e criar texturas. Primeiro, há uma textura específica proveniente dos instrumentos e equipamentos usados na gravação original. Depois, há a mídia física, seja ela disco ou fita, com seu balanço tonal e ruído característicos. Por fim (e é aí que fica interessante), há o sampler.

Do final dos anos 80 ao início dos anos 2000, a escolha da máquina a ser usada tinha um impacto enorme na sonoridade final da faixa. Uma prova disso é: uma vez que samplers mais transparentes se tornaram acessíveis e o computador passou a cumprir a função de sampler, máquinas antigas passaram a ser objetos de desejo simplesmente pela sua sonoridade. Por vezes, produtores as mantinham apenas para adicionar sua coloração aos samples e depois transferiam esses samples de volta ao equipamento que estavam usando. Como acontece frequentemente, certas texturas passam a ser desejadas quando podem ser facilmente evitadas.

Meus Presets

Voltemos ao Vulf Compressor, um plugin inicialmente inspirado pelo efeito Vinyl Sim da Boss SP-303, que foi um dos últimos samplers a ter um “sabor” característico, antes da era do brilho digital, quando transparência passou a ser a norma. Uma das coisas que me agradam no Vulf Comp é que, apesar de poder soar como a 303, ele é flexível o suficiente para soar bem diferente, se você brincar com as configurações de compressão e lofi. Seguem abaixo os três presets que criei, inspirados por samplers e beatmakers icônicos.

Vulf Compressor, em portuguêsVulf Compressor, em português

“1200 Crunch” / Experimente este preset

Um preset inspirado por: Pete Rock

Introduzida em 1987, a SP-1200 da E-mu é conhecida pelo seu som áspero.[1] A combinação de baixa resolução digital com filtros analógicos faz dela o sampler ideal para timbrar baterias.[2]

Vamos dar um pouco de caráter a esse beat. Antes, em bypass, e depois, processado pelo 1200 crunch.

“16 Pads Pitch Down” / Experimente este preset

Um preset inspirado por: Premier

A MPC60, do Roger Linn, tem um som mais macio.[3] Como o tempo de sample era uma limitação real nessas máquinas mais antigas, se tornou uma prática comum transpor os samples para um tom mais grave, por vezes sampleando o disco em uma rotação mais alta. Além de expandir o tempo total disponível, isso levava os samples mais profundamente a um território lofi.[4]

Aqui temos o mesmo beat em uma MPC empoeirada. Antes, em bypass, e depois: 16 pads pitch down.

“O.G. 303 VS” / Experimente este preset

Um preset inspirado por: [Madlib] (https://en.wikipedia.org/wiki/Madlib)

Trazendo o Vulf Compressor de volta às suas raízes, o foco aqui são baterias com impacto[5] e pumping na compressão.[6]

Antes, em bypass, e depois: O.G. 303 VS (Favor ajustar o Wow a gosto.)

Se você estiver buscando o som de uma beat tape do J Dilla,[7] coloque, depois do Vulf Comp com um preset de sampler, o Wow Control com configurações de K7: Tape Deck

Experimente. Use no canal de master. Se inspire. Coloque samplers diferentes em instrumentos individuais. Crie seu próprio preset de sampler com base nesses. Encontre sua própria textura.

  1. 1

    Pete Rock & Vinia Mojica, “Mind Blowin’” — YouTube"

  2. 2

    Pete Rock, “#1 Soul Brother” — YouTube

  3. 3

    Nas, “Represent” — YouTube

  4. 4

    Jeru the Damaja, “Come Clean” — YouTube

  5. 5

    J Dilla & Madlib, “Champion Sound” — YouTube

  6. 6

    Madvillian, “Accordion” — YouTube

  7. 7

    J Dilla, “Intro — Dilla’s Mix” — YouTube

Tiago Frúgoli produz e dá aulas de música em São Paulo, Brasil. Também está à frente do selo Ukiyo Beat Tapes. Seu primeiro álbum oficial, Casa, foi lançado no Brasil pela YB Music e será lançado internacionalmente pela Fresh Selects em breve.

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